segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Taxonomia de Bloom- Classificação de objetivos de processos educacionais

Benjamin Bloom liderou um grupo formado pela American Psychological Association para criar uma "classificação de objetivos de processos educacionais".

O primeiro passo para a definição dessa taxonomia foi a divisão do campo de trabalho em 3 áreas não mutuamente exclusivas:

- a cognitiva, ligada ao saber,
- a afetiva, ligada a sentimentos e posturas e
- a psicomotora, ligadas a ações físicas.

A Área Cognitiva

Normalmente, quem fala na Taxonomia de Bloom refere-se ao trabalho intitulado "Taxonomia e Objetivos no Domínio Cognitivo" que foi o primeiro a ser publicado (1956).

Ali, Bloom classifica os objetivos no domínio cognitivo em 6 níveis que, usualmente, são apresentados numa seqüência que vai do mais simples (conhecimento) ao mais complexo (avaliação); cada nível utiliza as capacidades adquiridas nos níveis anteriores. As capacidades e conhecimentos adquiridos através de um processo de aprendizagem são descritas por verbos.

Assim, os objetivos de aprendizagem de um curso, or exemplo, podem ser definidos com o auxíliuo do quadro abaixo:

Taxonomia de Bloom

Área Cognitiva

níveis objetivos capacidades a adquirir
- conhecimento



lembrar informações sobre: fatos, datas, palavras, teorias, métodos, classificações, lugares, regras, critérios, procedimentos etc. definir, descrever, distinguir, identificar, rotular, listar, memorizar, ordenar, reconhecer, reproduzir etc.
- compreensão





entender a informação ou o fato, captar seu significado, utilizá-la em contextos diferentes. classificar, converter, descrever, discutir, explicar, generalizar, identificar, inferir, interpretar, prever, reconhecer, redefinir, selecionar, situar, traduzir etc.
- aplicação

aplicar o conhecimento em situações concretas aplicar, construir, demonstrar, empregar, esboçar, escolher, escrever, ilustrar, interpretar, operar, praticar, preparar, programar, resolver, usar etc.
- análise

identificar as partes e suas inter-relações analisar, calcular, comparar,
discriminar, distinguir, examinar, experimentar, testar, esquematizar, questionar etc.

- síntese
combinar partes não organizadas para formar um todo compor, construir, criar, desenvolver, estruturar, formular, modificar, montar, organizar, planejar projetar etc.
- avaliação julgar o valor do conhecimento avaliar, criticar, comparar, defender, detectar, escolher, estimar, explicar, julgar, selecionar etc.

A Área Afetiva

Os objetivos de aprendizagem considerados na Área Afetiva estão ligados a idéias como comportamento, atitude, responsabilidade, respeito, emoção, valores.

Seguindo o modelo adotado para a área cognitiva, os objetivos são descritos por verbos.

Taxonomia de Bloom

Área Afetiva

níveis objetivos capacidades a adquirir
recepção dar-se conta de fatos, predisposição para ouvir, atenção seletiva dar nome, descrever, destacar, escolher, identificar, localizar, manter, perguntar, responder, seguir, selecionar, usar etc.
resposta envolver-se (participar) na aprendizagem, responder a estímulos, apresentar idéias, questionar idéias e conceitos, seguir regras. adaptar-se, ajudar, apresentar, desempenhar, discutir, escrever, estudar, falar, responder, selecionar, etc.
avaliação atribuir valores a fenômenos, objetos e comportamentos. aproximar, completar, convidar, demonstrar, diferenciar, dividir, explicar, iniciar, justificar propor etc.
organização (de valores) atribuir prioridades a valores, resolver conflitos entre valores, criar um sistema de valores adaptar, alterar, combinar, comparar, completar, concordar, defender, explicar, formular, generalizar, identificar, integrar, inter-relacionar, modificar, ordenar, organizar, preparar, relacionar, sintetizar etc.
internalização adotar um sistema de valores, praticar esse sistema agir, cooperar, desempenhar, generalizar, influenciar, integrar, modificar, ouvir, propor, questionar, resolver, revisar, ser ético, verificar etc.

A Área Psicomotora

Bloom e sua equipe nunca desenvolveram uma taxonomia para a área psicomotora mas outros especialistas o fizeram. Esse é o caso de A. Harrow, A. que, em 1972, propos uma taxonomia de 6 níveis: reflexos, movimentos básicos, habilidades de percepção, habilidades físicas, movimentos aperfeiçoados e comunicação não verbal.

A Revisão da Taxonomia

Em 2001, Anderson and Krathwohl publicaram um revisão da taxonomia de Bloom na qual foram combinados o tipo de conhecimento a ser adquirido (dimensão do conhecimento) e o processo utilizado para a aquisição desse conhecimento (dimensão do processo cognitivo).

O quadro dai resultante, apresentado abaixo, torna mais fáceis tanto a tarefa de definir com clareza objetivos de aprendizagem quanto aquela de alinhar esses objetivos com as ativdades de avaliação.

Taxonomia Revisada
Dimensão do Conhecimento Dimensão do Processo Cognitivo
lembrar compreender aplicar analisar avaliar criar
factual
conceitual
procedural
meta-cognitivo

Como na taxonomia original, a versão revisada apresenta verbos que definem objetivos:

nível verbos
lembrar reconhecer, recordar
compreender classificar, comparar, exemplificar, explicar, inferir, interpretar, resumir
aplicar executar, realizar
analisar atribuir, diferenciar, organizar
avaliar criticar, verificar
criar gerar, planejar, produzir

Note-se que a versão revisada dá nomes diferentes aos 6 níveis da hierarquia e inverte as posições de "síntese" (agora "criar") e "avaliação" (agora "avaliar").

Hierarquia

Howard Rotterdam alerta para o uso da palavra "hierarquia" no trabalho de Bloom. Para ele, os objetivos de conhecimento não formam uma hierarquia visto que, por exemplo, tarefas de avaliação não têm valor mais alto que tarefas de aplicação. Cada elemento da taxonomia tem seus próprios objetivos e valores.

Críticas

Embora muitas das críticas feitas à Taxonomia de Bloom sejam consideradas válidas, grande número de educadores entende que seu uso pode ser muito útil para o planejamento e desenho de eventos de aprendizagem. Ademais, ela oferece um bom apoio ao esforço de compatibilizar testes de avaliação com conteúdo de ensino. De fato, estudos mostram uma forte tendência, em certos níveis de ensino, de propor testes com questões concentradas nas faixas de "conhecimento" e "compreensão" o que poderia levar os alunos a distorcer o processo de aprendizagem, focando mais aquilo pelo que julgam que vão ser avaliados.