quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O ALFAIATE VALENTE

Um alfaiate prepara-se para comer alguns doces, mas quando moscas decidem pousar sobre eles, ele mata sete delas com um golpe. Ele faz um cinto que descrever a ação, "Sete com um golpe". Inspirado, ele sai pelo mundo para fazer fortuna. O alfaiate acaba conhecendo um gigante, que presume que "Sete com um golpe" se refere a sete homens. O gigante desafia o alfaiate. Quando o gigante espreme a água de um rochedo, o alfaiate espreme a água (ou soro) de um queijo. O gigante atira uma pedra no ar e esta demora para cair. Os alfaiate, para superar o feito do gigante, lança um pássaro que voa para longe, o gigante acredita que o pequeno pássaro é uma "pedra" que é jogada tão longe que nunca cai. O gigante pede que o alfaiate o ajude a carregar uma árvore. O alfaiate fala para o gigante carregar o tronco, enquanto que o alfaiate levaria os ramos. Em vez disso, o alfaiate sobe em cima da árvore, fazendo com o gigante o carregue também.

O gigante leva o alfaiate a sua casa, onde outros gigantes também vivem. Durante a noite, o gigante tenta matar o alfaiate. No entanto, o alfaiate, tendo achado sua cama muito grande, dorme no canto. Ao vê-lo ainda vivo, os outros gigantes fogem.

O alfaiate entra no serviço real, mas os outros soldados têm medo de que ele vai perder a paciência um dia, e com isso sete deles poderiam morrer a cada golpe. Eles se dirigem ao rei e pedem para o rei mandar o alfaiate embora, senão eles irão. Com medo de ser morto por mandá-lo embora, o rei envia o alfaiate para derrotar dois gigantes, oferecendo-lhe metade de seu reino e a mão de sua filha em casamento. Atirando pedras contra os dois gigantes enquanto eles dormem, o alfaiate provoca o par em combates entre si. O rei, então, envia-o atrás de um unicórnio, mas o astuto alfaiate cria uma armadilha para prender o unicórnio numa árvore, de modo que quando o unicórnio vier atacá-lo, ele sairá da frente fazendo com que o unicórnio acerte seu chifre no tronco. O rei posteriormente envia-o atrás de um javali selvagem, mas novamente o alfaiate cria uma armadilha, prendendo o animal em uma capela.

Com isso, o rei casa o alfaiate com sua filha. Já casados, uma noite, a mulher do alfaiate ouve-o falar durante o sono e percebe que ele é apenas um alfaiate. Ela conta tudo a seu pai, e o rei promete que irá mandá-lo embora. Um escudeiro adverte o alfaiate, que finge estar dormindo e diz que fez todos os atos e não tem medo dos homens atrás da porta. Apavorados, eles saem, e o rei não tenta novamente mandá-lo embora.


JOÃO E MARIA

Este conto relata a aventura dos irmãos João e Maria, filhos de um pobre lenhador, que de acordo com esposa, decide largá-los na floresta porque a familia não tem mais condições de mantê-los. No caminho pela floresta João e Mária espalham pela floresta migalhas de pão, este detalhe que é o mais conhecido e caracteristico da obra, porém essas migalhas acabam sendo devoradas pelos passáros e com isso João e Mária acabam perdidos na floresta. Na tentativa de encontrar o caminho de volta, as crianças encontram uma casa feita de doces e, com fome, começam a comer as guloseimas. São então recolhidos pela dona da casa que se revela uma bruxa. A bruxa planejava engordar as crianças para depois comer de sua carne. enquanto João se alimentava e aos poucos engordava, Mária trabalhava na casa para depois ser a próxima. Porém, espertas, as crianças descobrem o plano da bruxa e a enganam a jogando dentro do prórpio forno. Assim, livres, João e Maria são encontrados pelo pai e voltam para casa levando consigo providencias suficientes para o resto de suas vidas.

RAPUNZEL


Um casal sem filhos que queria uma criança vivia ao lado de um jardim murado que pertencia a uma bruxa. A esposa, no fim da gravidez, viu uma árvore com suculentos frutos no jardim, e o desejou obsessivamente, ao ponto da morte. Por duas noites, o marido saiu e invadiu o jardim da bruxa para recolher para a esposa, mas na terceira noite, enquanto escalava a parede para retornar para casa, a bruxa apareceu e acusou-o de furto.

O homem implorou por misericórdia, e a mulher velha concordou em absolvê-lo desde que a criança lhe fosse entregue ao nascer. Desesperado, o homem concordou; uma menina nasceu, e foi entregue à bruxa, que nomeou-a Rapunzel. O nome da planta que o marido robou.

Quando Rapunzel alcançou doze anos, a bruxa trancafiou-a numa torre alta, sem portas ou escadas, com apenas um quarto no topo. Quando a bruxa queria subir a torre, mandava que Rapunzel estendesse suas tranças, e ela colocava seu cabelo num gancho de modo que a bruxa pudesse subir por ele.

Um dia, um príncipe que cavalgava no bosque próximo ouviu Rapunzel cantando na torre. Extasiado pela voz, foi procurar a menina, e encontrou a torre, mas nenhuma porta. Foi retornando frequentemente, escutando a menina cantar, e um dia viu uma visita da bruxa, assim aprendendo como subir a torre.

Quando a bruxa foi embora, pediu que Rapunzel soltasse suas tranças e, ao subir, pediu-a em casamento. Rapunzel concordou. Juntos fizeram um plano: o príncipe viria cada noite (assim evitando a bruxa que a visitava pelo dia), e trar-lhe-ia seda, que Rapunzel teceria gradualmente em uma escada. Antes que o plano desse certo, porém, Rapunzel tolamente delatou o príncipe. Rapunzel pergunta inocentemente porque seu vestido estava começando a ficar apertado em torno de sua barriga, revelando tudo para a bruxa (que soube que Rapunzel estava grávida, o que significava que um homem se encontrara com ela). Em edições subseqüentes, Rapunzel perguntou distraidamente por que era tão mais fácil levantar o príncipe do que a bruxa.

Na raiva, a bruxa cortou cabelo de Rapunzel e lançou um feitiço, para que ela vivesse em um deserto. Quando o príncipe chegou naquela noite, a bruxa deixou as tranças caírem para transportá-lo para cima. O príncipe percebeu horrorizado que Rapunzel não estava mais ali; a bruxa disse que nunca mais a veria e empurrou-o até os espinhos de baixo, que o cegaram.

Durante meses ele vagueou através das terras infrutíferas do reino, e Rapunzel mais tarde deu à luz duas crianças gêmeas. Um dia, ela estava bebendo água e começou a cantar com sua bela voz de sempre. O príncipe ouviu-a e encontrou-se com ela. As lágrimas de Rapunzel curaram a cegueira, e a família foi viver feliz para sempre no reino do príncipe.

BRANCA DE NEVE

Relata a história da princesa Layza; sua mãe estava acariciando uma rosa até que furou seu dedo e disse que queria uma filha com a pele branca feito a neve, cabelos negros como o ébano e os lábios vermelhos, da mesma cor daquele sangue. Passado algum tempo, o rei enviuvou e voltou a casar com uma mulher belíssima, mas extremamente cruel e, além disso, feiticeira, a qual desde o primeiro dia tratou muito mal a menina.

Quando o rei morreu, a vilã, vendo que a Branca de Neve possuiria uma beleza que excederia a sua, obrigou-a a fazer todo o trabalho no castelo. A rainha tinha um espelho mágico e todos os dias lhe perguntava quem era a mulher mais bela do reino. Todas as vezes o espelho respondia que era ela. Um dia, ao fazer a habitual pergunta, o espelho respondeu que a rainha era bela, mas que Branca de Neve era mais bela. Um dia, quando estava trabalhando, foi pegar água do poço para banhar-se, e o seu cantarolar chamou a atenção de um príncipe que caçava pelos arredores; ele foi ao seu encontro. A vilã, sabendo desse encontro, não se conteve e expulsou Branca de Neve. A megera mandou um caçador ir ao bosque, e lá matar Branca de Neve. Como prova de que havia cumprido este ato, ordenou-lhe que trouxesse o coração da menina. Mas, o caçador teve pena da princesa e lhe poupou a vida, ordenando-lhe que fugisse. Para comprovar que havia obedecido às ordens da madrasta, entregou-lhe o coração de um javali.

Branca de Neve correu bosque adentro; quando estava muito cansada, adormeceu profundamente numa clareira. No dia seguinte, quando acordou, estava rodeada pelos pequenos animais da floresta, que a levaram até uma casinha no centro do bosque. Dentro, tudo era pequeno: mesas, cadeiras, camas. Por todo o lado reinava a desordem e tudo estava muito sujo. Ajudada pelos animaizinhos, deixou a casa toda arrumada e depois foi dormir.

Ao anoitecer, chegaram os donos da casa. Eram os sete anõezinhos, voltando da mina de diamantes onde trabalhavam. Quando a princesinha acordou, eles se apresentaram: Soneca, Dengoso, Dunga (o único que não tinha barbas e não falava), Feliz, Atchim, Mestre e Zangado. Ao serem informados dos problemas da princesa, eles resolveram tomar conta dela e a deixaram ficar.

A malvada rainha não tardou, por meio do seu espelho mágico, a saber que Branca de Neve estava viva e continuava a ser a mulher mais bonita do reino. Decidiu, então, acabar pessoalmente com a vida da princesinha. Disfarçou-se de pobre-velhinha-indefesa-feiosa-e-com-cara-torta, e primeiro tentou matá-la com um pente envenenado, mas na hora chegaram os anões e a afugentaram. Então envenenou uma maçã e foi até a casinha dos anões. Quando eles saíram para trabalhar, ofereceu a maçã envenenada e Branca de Neve, que a mordeu, caiu adormecida.

Quando os anõezinhos regressaram, pensaram que Branca de Neve tivesse morrido. De tão linda, eles não tiveram coragem de enterrá-la. Então fizeram um caixão de vidro e o enfeitaram com flores. Estavam junto à princesa adormecida, quando por ali passou o príncipe do reino vizinho, que há muito tempo a procurava. Ao ver a bela Branca de Neve deitada no seu leito, aproximou-se dela e lhe deu um beijo de amor. Este beijo quebrou o feitiço, que fez a princesa cuspir a maçã e despertar. O príncipe pediu à Branca de Neve que casasse com ele. E o feliz casal encaminhou-se para o palácio do príncipe e foram felizes para sempre.

CINDERELA

Cinderela era filha de um comerciante rico, que faleceu quando ela ainda era muito jovem. Foi então criada por sua madrasta malvada, que junto de suas duas filhas, transformaram-na em sua serviçal. Cinderela tinha de fazer todos os serviços domésticos - lavar, varrer, cozinhar - e ainda era alvo de deboches e malvadezas. Seu refúgio era o quarto no sótão da casa e seus únicos amigos, os animais da floresta.

Um belo dia, é anunciado que o Rei irá realizar um baile no Castelo, para que o princípe escolha sua esposa dentre todas as moças do reino. No convite, distribuído a todos os cidadãos, havia o aviso de que todas as moças, fossem pobres, altas, magras, feias ou bonitas, deveriam comparecer ao Grande Baile.

A madrasta de Cinderela sabia que ela era a mais bonita da região, então disse que ela não poderia ir, pois não tinha um vestido apropriado para a ocasião. Cinderela então costurou um belo vestido, com a ajuda de seus amiguinhos da floresta. Passarinhos, ratinhos e esquilos a ajudaram a fazer um vestido feito de retalhos, mas muito bonito. Porém, a madrasta não queria que Cinderela comparecesse ao baile de forma alguma, pois sua beleza impediria que o princípe se interessasse por suas duas filhas, muito feias. Então ela e as filhas rasgaram o vestido, dizendo que não tinham autorizado Cinderela a usar os retalhos que estavam no lixo. Fizeram isso de última hora, para impedir que a moça tivesse tempo para costurar outro.

Muito triste, Cinderela foi para seu quarto no sótão e ficou à janela, olhando para o Castelo na colina. Chorou, chorou e rezou muito. De suas orações e lágrimas, surgiu sua Fada-madrinha que confortou a moça e usou de sua mágica para criar um lindo vestido para Cinderela. Também surgiu uma linda carruagem e os amiguinhos da floresta foram transformados em humanos, cocheiro e ajudantes de Cinderela. Antes de sua afilhada sair, a Fada-madrinha lhe deu um aviso: a moça deveria chegar antes da meia-noite, ou toda a mágica iria se desfazer aos olhos de todos.

Cinderela chegou à festa como uma princesa. Estava tão bonita, que não foi reconhecida por ninguém. A madrasta, porém, passou a noite inteira dizendo para as filhas que achava conhecer a moça de algum lugar, mas não conseguia dizer de onde. O princípe, tão-logo a viu, se apaixonou e a convidou para dançar. A ciumeira foi generalizada, todas as moças do reino sentiram-se rejeitadas mas logo procuraram outros pares e a festa foi animada. Apenas a madrasta de Cinderela e suas duas filhas passaram a noite em um canto, tentando descobrir de onde teria vindo aquela moça tão bonita.

Cinderela e o príncipe dançaram e dançaram a noite inteira. Conversaram e riram como duas almas gêmeas e logo se perceberam feitos um para o outro.

Acontece que a fada-madrinha tinha avisado que toda a magia só iria durar até a meia-noite. Quando o relógio badalou as dozes batidas, Cinderela teve de sair correndo pela escadaria do Castelo. Foi quando deixou um dos pés de seu sapatinho de cristal. O príncipe, muito preocupado por não saber o nome da moça ou como reencontrá-la, pegou o pequeno sapatinho e saiu em sua busca no reino e em outras cidades. Muitas moças disseram ser a dona do sapatinho, mas o pé de nenhuma delas se encaixava no objeto.

Quando o príncipe bateu à porta da casa de Cinderela, a madastra trancou a moça no sótão e deixou apenas que suas duas filhas feias experimentassem o sapatinho. Apesar das feiosas se esforçarem, encolheram os dedos, passarem óleo e farinha nos pés, nada do sapatinho de cristal servir. Foi quando um ajudante do príncipe viu que havia uma moça na janela do sótão da casa.

Sob as ordens do príncipe, a madrasta teve de deixar Cinderela descer. A moça então experimentou o sapatinho, mas antes mesmo que ele servisse em seus pés, o príncipe já tinha dentro do seu coração a certeza de que havia reencontrado o amor de sua vida. Cinderela e o princípe se casaram em uma linda cerimônia, e anos depois se tornariam Rei e Rainha, famosos pelo bom coração e pelo enorme senso de justiça. Cinderela e o príncipe foram felizes para todo o sempre…

O SEGREDO

O Segredo


"Nossa melhor imaginação, não é capaz de nos revelar os segredos ocultos da vida..."
Autor: Alberto Grimm[1]


Aquele não era um dia como os outros, pois pela primeira vez desde que se entendia de gente, um evento muito especial, quer dizer diferente, aconteceria na escola.

E o diretor em pessoa avisara a todos na semana anterior: “A camiseta especialmente feita para o evento, já está à venda na secretaria. Só poderá entrar na escola nesse dia, quem estiver vestindo uma. Como é uma ocasião única, pais, irmãos e amigos também estão convidados; desde que comprem a camisa é claro.” No entanto, ele não conseguia tirar da cabeça, a idéia de que tudo aquilo era apenas uma grande jogada do diretor para arrecadar dinheiro fácil, dos curiosos.
Como era uma surpresa,, e ninguém sabia do que se tratava, a própria expectativa do mistério, fora a melhor publicidade para o acontecimento. Enquanto isso, a encarregada de vender as camisas, que por ser a dona da escola, conhecia bem todos os segredos internos da casa, tentando conter a histeria coletiva dos alunos, misturados aos pais, tios, irmãos e primos, que também se acotovelavam na secretaria em busca de uma camisa, desorientada diante de tanta gente, que mais pareciam disputar o último frasco do elixir da juventude, sem querer, deixara escapar uma frase muito estranha. Ela dissera, quer dizer, gritara: “Povo mal educado; se tivessem professores de verdade, não seriam assim.”. Suas palavras, claro, não foram ouvidas pela massa enfurecida em busca do seu único objetivo naquele momento, conseguir uma camisa; e a julgar pela reação de todos, mais parecia que teria dito: “Corram, que agora é de graça!”.

Apesar de quase ninguém lhe dar ouvidos, ele ouvira bem suas palavras. Estava bem claro o que dissera, e isso embora nada revelasse sobre o evento, para ele tinha um significado especial, e apenas confirmava uma antiga suspeita que era só sua.

Claro que em suas palavras não havia nada de mais, era apenas um desabafo espontâneo; mas aquilo de alguma forma mexera profundamente com ele. E no dia anterior ao proclamado evento, o que fizera em aula, fora apenas uma complementação ao estudo que já iniciara há muitos anos atrás; observar como agiam os professores. Lembrou do primeiro fato estranho nesse sentido. Foi num dia em que chegara cedo, quando ainda as salas sequer haviam sido abertas. Então, sentado num banco ao lado da secretaria, ele escutara um barulho estranho vindo da sala secreta. A sala secreta, era um quarto dentro da secretaria, cuja porta ninguém nunca vira aberta. O que havia lá dentro, ninguém sabia, e a chave, da qual só havia um exemplar, o diretor a carregava amarrada no pescoço como se fosse o colar mais precioso da terra. Ali só entrava ele e sua mulher, a mesma encarregada de vender as camisetas.

E ao barulho estranho, uma espécie de zumbido, como uma broca de dentista gigante, perfurando o maior dente da história, seguiu-se o cochicho de alguém que dissera: “Nossa, você não a programou com as aulas de hoje, agora teremos que reinstalar todo sistema operacional outra vez”. E outra pessoa respondeu: “Não dá tempo, uma nova carga do sistema leva no mínimo duas horas. O Jeito é deixar assim mesmo; acho que ninguém vai perceber o problema, e a noite nós consertamos”. E então, poucos minutos depois, ele vira saindo pela porta da sala secreta, sua professora, e os demais professores da escola. Até aí, a única novidade era o fato de ter visto pela primeira vez a porta da sala secreta aberta, e de saber que os professores ficavam lá dentro, antes de se dirigirem às suas salas.

O problema foi na hora da aula, quando sua professora começou a repetir a aula do dia anterior. Até aí também não havia grandes novidades, pois era quase tudo igual mesmo, e a mudança era sempre a mesma; apenas o número da página do livro onde deveriam abrir naquele dia, quer dizer num dia normal, e esta, a página, nunca se repetia. Então ela cumprimentou a todos por igual, e a primeira atitude suspeita foi quando cumprimentou um aluno que faltara; mas que estivera presente na aula anterior.

Se tivesse cumprimentado de cabeça baixa como já fizera algumas vezes, estaria tudo bem, mas dessa vez estava com a cabeça erguida, ereta e atenta, olhando nos olhos de todos, inclusive à carteira vazia com a qual falou como se o aluno faltante estivesse lá sentado. Alguém ainda disse que ele faltara, mas ela impassível, sem dar ouvidos, prosseguiu cumprimentado a todos como se executasse uma operação mecânica impossível de ser interrompida depois de iniciada.

Então ele percebeu que ela fizera aquilo no dia anterior, exatamente daquela forma, repetindo até a tosse após mencionar o nome do terceiro aluno. Ela sempre intercalava uma tosse, exatamente igual em intensidade, duração e gestos faciais, entre uma ou outra chamada. Aquilo era tão previsível, que muitos alunos até apostavam, para ver após o nome de quem ela iria tossir naquele dia. Mas, naquele dia, ela repetira tudo por igual. Pediu para abrirem na mesma página do dia anterior; fizera os mesmos gracejos, os mesmos comentários sobre o tempo, a mesma observação sobre uma notícia do dia anterior; como se fosse uma notícia do dia. Podia ser apenas uma distração que passaria desapercebida diante de todos, mais preocupados que estavam em comentarem entre si, sobre as últimas novidades que cada um trouxera de casa, desde a aula passada.

Então ele, que sempre anotava todas as reações dos professores, seus gestos; e também gravava em seu pequeno Pen-Drive toda aula, e depois conferia com o dia anterior, para atestar uma antiga suspeita sua, naquele dia, ficou impressionado. Ela repetira a aula do dia anterior, de uma forma única; todas as palavras e entonações, todas as sílabas e gestos, tudo; tudo como se fosse uma máquina que por alguma razão operacional, não fora atualizada para a aula daquele dia. Então lembrou do momento em que estivera na secretaria, antes do início das aulas; dos comentários que ouvira, das palavras de alguém que dissera: “Você não a programou com as aulas de hoje...”. Ela, foi a palavra que aquela pessoa dissera; e só havia uma Ela, e esta era a sua professora; os outros professores eram homens, Eles portanto. Era coincidência demais alguém dizer aquilo, e agora Ela, confirmando suas palavras, agir como se ainda estivesse vivendo o dia anterior. Seria ela uma máquina?

Esse pensamento não era novo para ele, pois todos os professores agiam como máquinas. Eram previsíveis, apenas repetiam as coisas dos livros, o que não havia nada de novo; faziam sempre os mesmos e vazios comentários, como se interpretassem para uma platéia de outras máquinas audientes, agindo como seres sem vontade, sem sentimentos. Até quando riam, parecia se fazer ouvir o barulho das engrenagens a mover os músculos dos seus maxilares. Teve receio que seus pensamentos pudessem ser escutados por alguém, e tentou pensar em outra coisa. Mas agora, observando com mais atenção, podia ver claramente que sua professora possuía todas as características de uma máquina. Suas respostas eram mecânicas para tudo que os alunos questionavam, não ouvia o que falavam, e como uma autoridade legisladora, apenas estava ali para informar dos deveres de cada um, não para orientá-los.

Lembrou de todos os dias anteriores, de todos os anos desde que começara a estudar. Lembrou dos comportamentos mecânicos e sempre como que obedecendo a uma coreografia ensaiada, que todos adotavam por igual. Eram sérios e de poucas palavras nas segundas e terças; mais ou menos nas quartas e quintas, e mais alegres nas sextas; anos após ano, sempre igual, todos eles, como verdadeiras máquinas programadas para agir daquela forma. E o conteúdo didático? Matérias e mais matérias inúteis, sem que ninguém parasse para justificar o motivo de tanta coisa desnecessária, que lhes empurravam cérebro adentro; e sem que ninguém questionasse se aquilo servia para alguma coisa. Era uma rotina assustadora e sem finalidade alguma. Lembrou das cinco aulas seguidas, onde ficara sabendo tudo sobre a dieta básica dos mamutes; Se isso na vida prática serviria para alguma coisa, nunca disseram.

Chegou ainda mais cedo no outro dia, tão cedo que teve que pular o muro da escola. Escondeu-se atrás de uma moita do jardim da secretaria, perto de uma janela falsa da sala secreta. Estava mesmo disposto a ouvir “barulhos” de dentro, que poderiam lhe responder alguma coisa; e acabou por escutar a conversa que rolava lá dentro.

“Pronto”, dissera a mesma voz do dia anterior; “instalei um novo sistema operacional na professora, com um pacote de atualização dinâmica e reinstalei seu sistema de som; assim terá uma tosse em 64 canais. Também, coloquei nela um mecanismo, que permite, que num caso de pane como o de ontem, ela dê aula, mas que o faça repetindo trechos aleatórios de várias outras aulas, o que dará aos alunos a impressão, de que é uma aula sempre nova”. E o outro comentou: “Brilhante essa rotina nova”. Ao que o outro completou: “Baixei na internet ontem”.





Autor: Alberto Grimm
Veja mais detalhes sobre o autor nas notas abaixo.
email: alberto.grimm@gmail.com



Notas:

[1] Alberto Grimm, é escritor de histórias infantis, e agora nos presenteia com seus contos, como um eventual colaborador do Site de Dicas.
Os contos são fábulas modernas, das quais sempre podemos extrair formidáveis lições de vida, que muito favorece à reflexão.

A FÓRMULA DA NECESSIDADE

A Fórmula da Necessidade


Autor: Alberto Grimm[1]


E um cientista, o maior matemático de todos os tempos, depois de muitos cálculos e pesquisas, chegou à conclusão, e agora era capaz de provar através de fórmulas matemáticas, que o ser humano precisaria de certos “itens”, e estes poderiam ser objetos, idéias ou coisas abstratas, que seriam imprescindíveis ao seu viver. Era uma questão de necessidade, e agora era oficial, cientifico, e a fórmula provava isso. Isso significava dizer que, se a fórmula provasse, o indivíduo não mais poderia viver sem aquela referida coisa.

Assim, por ser capaz de provar suas conclusões, ele desenvolveu um método, uma técnica infalível para avaliar se alguma coisa existente, objeto, palavra, crença ou qualquer outra, era ou não necessária, vital, ao ser humano. Era algo como ser capaz de traçar o perfil de potencial de venda de qualquer produto existente, recém lançado, ou por lançar, no mercado de consumo. Com a aplicação do tal método e comprovação através de sua fórmula, ele poderia afirmar se aquele produto, seria ou não de uso obrigatório pela sociedade, o que induziria o ser humano a comprá-lo, no caso de um produto, e a segui-la, no caso de uma idéia, mesmo sem saber o motivo pelo qual o estaria fazendo.
“Não adianta”, disse ele, “A fórmula e todo roteiro para a aplicação da técnica, está em minha cabeça, e apenas lá. Nem uma linhazinha do processo foi documentada em papel, ou qualquer outro meio onde se possa escrever. Não tornarei de uso público, é perigoso, será para sempre um segredo só meu. Mas, para alguns, poderei calcular se seus produtos são, ou se tornarão ou não de uso obrigatório, e ainda poderei dizer o que falta no produto, para que ele se enquadre como de “necessidade vital”. E tudo, é claro, pago, muito bem pago, afinal de contas, a fórmula já atestou que o uso dela mesma é uma necessidade vital”.

Foi um alvoroço, um rebuliço sem precedentes no mundo acadêmico e da pesquisa científica, e logo foram organizados seminários e conferências para explicar a coisa ao resto do mundo. Era sem dúvida uma novidade, pois a partir de agora, através de fórmulas científicas, estava comprovado que o ser humano, de qualquer parte do planeta, não importasse crença, raça, nacionalidade, nível social, não poderia sobreviver sem algumas “coisas” que aquele método era capaz de identificar com clareza. Ora, isso sempre fora o sonho de qualquer campanha de publicidade, dos governos, de todos os tipos de interesses, por isso se tornou uma questão de segurança mundial.

E todos queriam saber se seus produtos “passavam”, eram aprovados, pela fórmula. Sendo aprovado pela fórmula, um objeto, uma ideia, ou qualquer outra coisa, era a certeza atestada de sucesso, afinal de contas, cientificamente, ela provava que o ser humano “não poderia viver sem aquele item aprovado”.

E antes de entrar no mercado como uma “espécie de selo de qualidade”, o selo mais desejado do mundo, que apenas alguns felizardos poderiam estampar em suas marcas, criou-se um órgão regulamentador oficial para fiscalizar. Ideias ou produtos não autenticados pela fórmula, mas que usassem o selo sem autorização, seriam sumariamente retirados de circulação e seus responsáveis punidos com o exílio perpétuo nas montanhas negras do Himalaia. Isso porque, depois de autenticado pela fórmula, as pessoas, não mais poderiam viver sem aquela coisa, e criar “falsas dependências”, se constituía um crime sem direito à fiança. Mas ficou combinado que alguns vícios seriam liberados.

E o primeiro produto aprovado pela fórmula, como de necessidade indispensável à existência humana, foi um pequeno aparelho eletrônico, na verdade uma versão móvel de telefone. E logo todos se perguntavam: “Nossa! Como foi que conseguimos viver até hoje sem isso, como era possível?”. Depois vieram os livros, alguns títulos, que, segundo a fórmula, todos precisavam ler, na verdade, não mais poderiam viver se não os lessem. E como as crianças pequenas ainda não eram capazes de ler e entender o que estavam lendo, seus pais e educadores se encarregariam de lhes passar o conceito por trás das páginas. Depois vieram as ideias e modo de pensar que todos deveriam adotar como norma de vida, e assim por diante.

E uma criança implica com sua mãe: “Mãe, eu não aceito que o Universo foi criado por uma explosão chamada Ping Pong, nem que o mesmo é quadrado e redondo nas pontas!”. E sua mãe tentando convencê-lo: “Mas filho, está comprovado pela fórmula, precisamos pensar assim, você precisa aceitar essa verdade, essa informação é indispensável à nossa vida!”. “Para mim não é; não preciso disso para nada. Não há quem me faça mudar de ideia!”. E sua mãe resolve a questão: “Está bem, você aceita a ideia e eu compro aquela bicicleta azul que você pediu!”. Feliz da vida ele concorda: “Aquela aprovada pela fórmula, que tem o selim com som MP3 polifônico?”.

Em outro lugar do mundo, cultura diferente, outra criança pergunta à sua mãe: “Mãe, porque nós precisamos de aparelhos celulares com máquina de Raios-X, e com ferro de passar roupa embutidos, e máquina de lavar roupa com acesso à internet e GPS, e computadores com telas de 60 polegadas, se a maior parte dessas coisas quando não atrapalham não serve para nada?”. E sua mãe disse: “Ora filho, aparentemente não serve, mas é uma necessidade sem a qual não conseguiríamos viver, está provado pela fórmula que deve ser assim...”, e ninguém mais tocaria naquele assunto.

E desde aqueles tempos, qualquer coisa que fosse atestada pela fórmula como de necessidade vital à humanidade, seria consagrado como uma lei, um quesito que se tornaria parte integrante daquele homem. Palavras, frases e ideias que as pessoas deveriam repetir como parte de suas personalidades, tudo isso passaria pela aprovação da fórmula. E então aconteceu aquilo que ninguém esperava. A fórmula atestou, provou que os homens, na verdade, não eram homens, apenas ainda não haviam se cientificado do fato, mas agora que a fórmula atestara, todos deveriam cumprir seus destinos. Não se tratava de uma escolha, a fórmula atestara que os homens eram na verdade, Ratos urbanos, da espécie Gabirus Erectus.

Assim, desde então, nos tornamos Ratos urbanos, vivendo em imensas cidades degradadas, com uma diferença, agora conscientes disso. E finalmente, antigos adágios tomaram seu devido lugar. Dizemos agora “Degrade sua cidade e viva feliz”, ao invés do antigo: “Cuide e conserve da sua cidade e viva feliz”.

Vivíamos felizes até os dias de hoje, quando nos chega a notícia de que outro cientista, um cientista Rato é claro, acaba de compilar uma nova fórmula, um novo teorema, que prova que nós Ratos, somos na verdade humanos não conscientes. Eu que não caio mais nessas histórias, especialmente nessas ideias mirabolantes criadas por Ratos cientistas. Imagine, dizer que nós somos humanos, e ainda querer provar através de fórmulas de que isso é verdade!





Autor: Alberto Grimm
Veja mais detalhes sobre o autor nas notas abaixo.
email: alberto.grimm@gmail.com



Notas:

[1]Alberto Grimm, é escritor de histórias infantis, e agora nos presenteia com seus contos, como um eventual colaborador do Site de Dicas.
Os contos são fábulas modernas, das quais sempre podemos extrair formidáveis lições de vida, que muito favorece à reflexão.




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A ESPERA

A Espera


Autor: Alberto Grimm[1]


A sensação não era nada boa. Fazia muito frio, e ele, sem compreender bem o que estava acontecendo, caminhava por uma trilha de terra em meio à densa mata fechada, de onde, sequer podia enxergar a luz do sol, se é que naquele lugar existia tal coisa. Estava meio confuso, meio não, completamente. Sequer conseguia pensar de forma ordenada. Sua mente não conseguia se fixar em ponto algum, e suas lembranças mais pareciam um amontoado de coisas pelo avesso. Em resumo, dentro de sua cabeça, nada fazia sentido.

Tentou lembrar como chegara naquele lugar e nada, nadinha, nem adiantava tentar. Como seria possível alguém chegar a algum lugar sem ter lembrança de como lá chegara? Será que ele morrera, que aquela era a sensação de alguém morto? Olhou para seu corpo em busca de respostas, e percebeu que vestia um agasalho para frio, e assim deduziu que havia se preparado para estar ali. A questão era, onde?
Olhou para trás e via apenas uma longa trilha, estreita, sinuosa, aparentemente sem fim, uma visão semelhante a que tinha à sua frente. Dos lados, árvores, de todas as cores e alturas, e um silêncio que o fizera concluir, ou que podia estar com problemas de audição, ou que ali não existiam sons. A coisa aparentemente era bastante séria, pois sequer conseguia lembrar do próprio nome; do lugar onde morava, nem pensar. Era como se estivesse vazio, oco, sem mente.

Então começou a escutar um barulho de vozes, como se um grupo de pessoas se aproximasse de onde ele se encontrava. Assustou-se e logo pensou em correr, mas estava com um problema, pois não conseguia distinguir de que lado vinha aquele murmúrio, de modo que, ir em qualquer das duas direções, indo ou voltando, era arriscado. Num ímpeto de coragem, decidiu correr para frente, sem olhar para trás, e para aumentar sua aflição, as vozes se aproximavam cada vez mais dele. E em meio às vozes atrás de si, ele escutou pronunciarem um nome, que até poderia ser o seu, se soubesse qual era. E alguém lhe diz: “Fulano, não adianta se apressar, aqui tem o que você procura!”.

Por isso mesmo, quase morre de susto, quando alguém tocou nas suas costas, dizendo: “Está na hora...”. O grito que saiu de sua garganta, resultado do imenso pavor que sentiu, era de fato estranho. Não foi um grito que saiu de imediato, mas uma espécie de grito gradual, isto é, que ia aumentando de volume aos poucos, como se obedecesse ao girar do botão de volume de um rádio, cuja engrenagem estivesse falha.

Acordou tentando se segurar em alguma coisa, como se estivesse caindo de uma cama, da qual de repente lhe tirassem o lastro. Segurou num pé, isso mesmo, num pé descalço, de alguém que dormia ao seu lado, juntamente com mais uma centena de outras pessoas, naquilo que parecia uma imensa fila de espera.

A principio ainda estava desorientado, sem saber onde estava, sem saber onde ficava o norte ou o sul. Parecia ter perdido o juízo, e sua mente, mais se assemelhava a um sistema operacional de computador contaminado com um vírus, que o tornava demasiado lento. Mas, quando a mesma voz que o acordou, tornou a falar, sua razão começou a voltar para casa. Dizia ela: “As portas já vão ser abertas...”.

Lembrou então que estava, juntamente com uma centena de outras pessoas, numa imensa fila de compradores compulsivos, à espera do grande lançamento, de um grande e revolucionário produto, uma novidade, que viciados em consumo, como ele, faziam questão de ter em primeira mão. Tratava-se de um novo aparelho eletrônico, um celular, cujo diferencial era não possuir botões, funcionava por comando de voz, e apenas seu dono poderia operá-lo. Nada que o tornasse superior aos modelos anteriores, não fosse o exclusivo recurso de mostrar aos seus usuários, em tempo real, em gráficos coloridos, diversos modelos deles disponíveis, a temperatura do centro da Terra.

Sem compreender muito bem porque precisava daquele aparelho, o fato é que ele estava naquela fila. Também, subitamente, como se seu cérebro iniciasse um processo de auto-limpeza, onde coisas sem explicações não teriam mais espaço para ficar, não compreendia por que precisava saber da temperatura do núcleo da Terra 24 horas por dia, em tempo real; que utilidade aquilo teria para si. Percebeu que, pela primeira vez em sua vida, estava pensando, questionando alguma coisa. Lembrou que isso talvez fosse um reflexo daquele sonho “diferente” que tivera.

E muitos outros pensamentos questionadores, estranhos para ele, uma vez que se acostumara desde pequeno a simplesmente seguir a onda da vez, invadiam sua mente, como se fossem os antigos moradores, há muito despejados, mas que agora, tomados de uma nova motivação, reivindicassem sua antiga morada. Não era uma sensação ruim, mas antes disso, estranhamente motivadora. Lembrou das campanhas de consumo anteriores, nas quais fora envolvido, levado a consumir sem pensar, sem questionar se de fato eram necessidades, ou simples compulsão sem motivo.
Lembrou dos tantos aparelhos, todos ainda funcionando bem, que já possuía em casa, que eram substituídos quase como uma obrigação, a cada nova campanha, apesar de, agora percebia, não haver motivo coerente, lógico para isso. Ficou assustado com aquele percebimento, e pela primeira vez sentiu que sempre fora um autômato movido pela vontade alheia. Sentiu um misto de revolta e um tanto de liberdade, pois sabia que, a partir daquele ponto, não mais conseguiria ser um “boneco movido pela corda alheia”. A sensação era que acordara de um longo e perturbador sono, em todos os sentidos.

Achou graça ao observar seus amigos, ali ao seu redor, naquela imensa fila de espera, onde passaram a madrugada, a troco de nada, discutindo tolices como os benefícios de se possuir um celular que, além de fazer aquilo que todos os demais já faziam, era capaz de mostrar em tempo real, a temperatura do núcleo da Terra. Saindo dali, depois se reuniriam, como das outras vezes, cada um tentando configurar seu aparelho, com um padrão diferenciado, embora fossem todos iguais. Depois iriam para suas casas, e lá permaneceriam, diligentes, em estado de espera, até a próxima campanha, o próximo comando, a ordem de como deveriam agir. E depois, pensou, quem poderia garantir se aqueles números seriam de fato da temperatura do centro do planeta, afinal de contas, quem iria lá, com um termômetro, para conferir?

De fato, estava pensando, sentia uma liberdade estranha, não por ser esquisita a sensação, mas porque sentia uma segurança, uma confiança em si, que nunca experimentara antes. E sem dizer nada, já que nenhum dos demais tinham ouvidos ou olhos para outra coisa, se afastou sem ser notado, sem explicar nada a ninguém. Estava, pela primeira vez em sua vida, consciente de uma ação sua.





Autor: Alberto Grimm
Veja mais detalhes sobre o autor nas notas abaixo.
email: alberto.grimm@gmail.com



Notas:

[1]Alberto Grimm, é escritor de histórias infantis, e agora nos presenteia com seus contos, como um eventual colaborador do Site de Dicas.
Os contos são fábulas modernas, das quais sempre podemos extrair formidáveis lições de vida, que muito favorece à reflexão.




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A MANSÃO MAL ASSOMBRADA

A Mansão Mal Assombrada


Para compreender o que desconhecemos, primeiro precisamos aceitar que não compreendemos..."

Autor: Alberto S. Grimm[1]



Saber que as aparências enganam, não nos torna imunes às decepções! Precisamos de algo mais...
A casa era imensa e estava localizada em meio a um pequeno bosque, às margens de um lago profundo e de águas calmas. Tinha uma fama e tanto, de mal assombrada é claro. Ninguém conseguia passar uma noite lá dentro; morar, nem pensar. Possuía muitos quartos em seus três andares construídos sobre uma sólida laje natural de pedra negra, quase à beira de um penhasco.

Passados dezenas de anos, ainda permanecia majestosa e firme, apesar das paredes sujas devido à falta de manutenção. Seus donos eram prósperos, mas o tempo implacável lhes tirara tudo, e agora, embora não mais existissem, ao menos fisicamente, lá estava sua robusta morada, feita para durar mais que todos da sua linha de descendência. Pouco se sabia sobre os acontecimentos que culminaram com o início das assombrações no local, mas a história era clara; os fantasmas do lugar não eram nada amigáveis com os visitantes.
Os últimos enxotados fora um grupo de religiosos, que resolveram fazer um exorcismo para limpar a casa. Naquele grupo, organizado como uma espécie de liga da justiça divina contra as forças do mal, todas as religiões enviaram seus mais competentes, ilustres e sábios ministros. Conta-se que logo na entrada, um deles ficou completamente surdo com o sopro que um dos fantasmas deu nos seus ouvidos; nos dois ao mesmo tempo. Ficou desorientado por um tempo, sem saber nem onde estava, nem qual era seu nome; depois recobrou a razão, mas não a audição.

Sorte que, por ser sábio, conhecia a linguagem dos sinais, motivo pelo qual, pode continuar se comunicando com os demais membros do grupo. Depois chegou a imaginar que fora beneficiado pela brincadeira da assombração, uma vez que os sons assustadores dos fantasmas arruaceiros não mais o perturbariam naquela noite. Infelizmente, para todos os presentes, a coisa não era tão simples assim. O fato é que, todos foram expulsos da casa poucas horas depois, mas não sem traumas psicológicos preocupantes.

O que mais impressionou ao grupo foi que, ao iniciarem o exorcismo, ao pronunciarem as primeiras palavras sagradas, os fantasmas completaram em voz alta toda a ladainha restante, inclusive com os cânticos dos rituais solenes, e ainda ensinaram aos religiosos algumas técnicas secretas que estes desconheciam. Sem contar que havia um coro de fundo, que recitava em tom canônico, todos os salmos bíblicos, em sua língua original. Saíram da casa moralmente arrasados e questionando a própria fé.

Mas, sem dúvida o que mais abalou a auto-estima do grupo, foram as palavras finais daquele que parecia ser o fantasma chefe. Dissera em tom solene: “Voltem sempre e assim podemos ficar longas horas discutindo sobre todos os livros sagrados. Gostamos de realizar seminários para falar de coisas religiosas, doutrinas secretas e coisas assim. Nossas reuniões é sempre às terças e quintas, meia noite em ponto. Vocês são, a partir de hoje, nossos eternos convidados; não é pessoal?”. Um gemido, algo como “Hum, hum...”, em forma de coro, parecia ser a concordância do restante da comunidade fantasmagórica.

Detalhes à parte, uma nova família que ora estava chegando ao local, parecia não se importar com aquelas lendas e relatos assombrosos. Observaram a imponente fachada da enorme mansão, e aquela que parecia a matriarca comentou: “Pelo menos espaço teremos de sobra a partir de hoje!”.

Entre eles, uma criança, que segurava na mão direita uma revista em quadrinhos, cujo título era, “Histórias Assombrosas”, voltou-se para a senhora que fizera o comentário e disse: “Mãe, quero ver os fantasmas da casa, será que posso; a senhora deixa?“.

“Deixa de coisa menino”, ressaltou a senhora em tom resignado, “fantasmas é coisa de gente, existem para os seres humanos; eles aparecem e assustam pessoas. Somos Ratos, e fantasmas não assustam Ratos”. Meio desolado e olhando para o rabinho que dava voltas no ar, ele suspirou, pegou sua mochila e subiu lentamente os degraus em direção à casa.





Autor: Alberto S. Grimm
Veja mais detalhes sobre o autor nas notas abaixo.
email: alberto.grimm@gmail.com

CORES PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS

FIGURAS ESCONDIDAS

TEXTO ´´ O ANEL``


                              O ANEL
Um aluno chegou a seu professor com um problema:

- Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa, que não
tenho forças para fazer nada. Dizem que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar?
O que posso fazer para que me valorizem mais?
O professor sem olhá-lo, disse:
- Sinto muito meu jóvem, mas agora não posso ajudá-lo, devo primeiro resolver o meu próprio problema. Talvez depois. E fazendo uma pausa falou:
- Se você me ajudar, eu posso resolver meu problema com mais
rapidez e depois talvez possa ajudar você a resolver o seu.
Claro, professor, gaguejou o jovem, mas se sentiu outra vez desvalorizado

O professor tirou um anel que usava no dedo pequeno, deu ao garoto e disse:

-          Monte no cavalo e vá até o mercado. Deve vender esse anel  porque tenho que pagar uma dívida.
É preciso que obtenha pelo anel o máximo possível, mas não aceite menos que uma moeda de ouro. Vá e volte com a moeda o mais rápido possível.
O jovem pegou o anel e partiu.

Mal chegou ao mercado começou a oferecer o anel aos mercadores.
Eles olhavam com algum interesse, até quando o jovem dizia o quanto pretendia pelo anel.
Quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saiam sem ao menos olhar para ele, mas só um velhinho foi amável a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel
Depois de oferecer a jóia a todos que passavam pelo mercado e abatido pelo fracasso, montou no cavalo e voltou. O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, assim livrando a preocupação de seu professor e assim podendo receber sua ajuda e conselhos
Entrou na casa e disse:

- Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir 2 ou 3 moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.

Importante o que me disse meu jovem, contestou sorridente. Devemos saber primeiro o valor do anel. Volte a montar no cavalo e vá até o joalheiro. Quem melhor para saber o valor exato do anel? Diga que quer vender o anel e pergunte quanto ele te dá por ele. Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o venda. Volte aqui com meu anel.
O jovem foi até ao joalheiro e lhe deu o anel para examinar. O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou o anel e disse:
- Diga ao seu professor que, se ele quer vender agora, não posso dar mais que 58 moedas de ouro pelo anel.
- 58 MOEDAS DE OURO! Exclamou o jovem.
- Sim, replicou o joalheiro, eu sei que com tempo eu poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas se a venda é urgente...
O jovem correu emocionado a casa do professor para contar o que correu.

- Senta, disse o professor e depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou, disse:
- Você é como esse anel, uma jóia valiosa e única. Só pode ser avaliada por um especialista. Pensava que qualquer um podia descobrir o seu verdadeiro valor?
E dizendo isso voltou a colocar o anel no dedo.

Todos nós somos como esta jóia. Valiosos e únicos e andamos por todos os mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem
Repense o seu valor!
Creia que você tem valor.
     Creia que você é uma pedra preciosa para seus amigos...
     Aprenda a valorizar cada dia mais suas pedras preciosas.
    Autor desconhecido                              
                                                                                 Preparado por:  Silvana Pinto